Hoje termina em Curitiba o 4º Congresso Internacional de Bioenergia e o 1º Congresso Brasileiro de Geração Distribuída e Energias Renováveis. Entre as muitas informações importantes apresentadas nesta semana durante os eventos, uma é bastante promissora. Trata-se da atualização do mapa eólico do Paraná. O estudo traz dados mais completos que os divulgados em 1999, quando ficou pronto o primeiro mapa produzido pela Copel, e agora está inserido no Atlas do Potencial Eólico do Estado do Paraná. Esse estudo serve como subsídio para a formulação e estruturação dos projetos voltados à geração de eletricidade, utilizando o ventocomo força motriz, que deverão concorrer no leilão de novas centrais eólicas, programado pela Aneel para novembro.
A Copel estima existir no Paraná potencial eólico para cobrir aproximadamente 40% do consumo atual de eletricidade do Estado, que em 2008 totalizou 21,3 milhões de megawatts-horas. “As energias renováveis são democráticas e estratégicas para um país com características como as do Brasil”, afirmou o diretor de engenharia da Copel, Luiz Antonio Rossafa. “Com respeito ao vento, o Paraná não foi tão abençoado quanto outras regiões do país, mas tem suas ‘ilhas’ para gerar energia por meio deste insumo, que não tem custo nenhum.”
MEDIÇÕES – O inventário das correntes de vento no Estado traz os resultados de medições feitas em 34 estações eólicas, sendo que uma delas havia sido instalada a 100 metros do solo. As estações mais altas são usadas em regiões com relevos mais complexos, de maneira a obter dados e informações mais confiáveis. Os modelos de relevo empregados na confecção do novo mapa também têm resolução muito melhor do que as do primeiro mapa, resultado direto da evolução da informática e do aprimoramento das ferramentas, programas e aplicativos. De acordo com o estudo, a potência instalada no Paraná para a produção de energia elétrica a partir do vento pode chegar a 3.375 megawatts, o equivalente a quase cinco grupos geradores de Itaipu. Com essa potência, seria possível obter anualmente até 9,3 milhões de megawatts-horas de eletricidade. “O novo mapa eólico nos permite avaliar, de maneira mais precisa, tanto a localização quanto o porte dos potenciais disponíveis no Paraná”, explicou Dario Jackson Schultz, engenheiro que integra a equipe de técnicos da Coordenação de Energias Renováveis da Copel que elaborou o Atlas. “Tais informações são essenciais para que se possa determinar uma ordem de prioridade para os empreendimentos que habilitaremos para concorrer no leilão que a Aneel irá promover em novembro”. As medições dos ventos no Paraná começaram a ser realizadas pela Copel em 1994 e, cinco anos depois, os resultados medidos em cinco estações de 50 metros de altura foram mapeados e registrados no primeiro Mapa Eólico, cuja atualização foi iniciada em 2003. Todos os equipamentos usados nesta última série de medições obedecem a critérios, especificações e padrões internacionais. Para a realização desse estudo, houve a colaboração do Lactec e da consultora Camargo Schubert Engenharia Eólica.